Candidatura a Presidente do Instituto Superior Técnico

Rogério Colaço

1. Contexto e Motivação

A presente candidatura surge na sequência de uma profunda reflexão pessoal, efetuada após a Escola ter tido conhecimento da impossibilidade do atual Presidente do Instituto Superior Técnico concluir o mandato de quatro anos para o qual foi eleito.

Os desafios iniciais que o novo Presidente do IST enfrentará serão de considerável dimensão. Efetivamente, para além da visão para o futuro do IST que qualquer candidato a Presidente deverá apresentar à Escola como elemento estruturante do seu programa de atuação, o novo Presidente do IST, que vai tomar posse em janeiro de 2020, terá de ter capacidade para dar resposta célere a dois processos de extraordinária complexidade atualmente em curso no IST, a saber:

● a reconversão dos cursos de mestrado integrado, imposta pelo Decreto Lei 65/2018, de 16 de agosto, e de todos os cursos de primeiro e segundo ciclo do IST, na sequência da discussão e reflexão da escola, que culminou no relatório elaborado pela Comissão de Análise ao Modelo de Ensino e Práticas Pedagógicas do IST (CAMEPP), e que será aplicado nos termos do documento Princípios Enquadradores para a Reestruturação dos Cursos de 1º e 2º ciclo do Instituto Superior Técnico 2122 (PERCIST);

● a entrada em vigor de um novo referencial contabilístico – o Sistema de Normalização Contabilística para as Administrações Públicas (SNC-AP) -, e a simultânea implementação da nova aplicação de software de gestão financeira do IST, SAP, iniciada em janeiro de 2018.

Naquilo que respeita às reestruturações dos cursos de primeiro e segundo ciclo, que terão de entrar em vigor no ano letivo de 2021/2022, após aprovação nos órgãos competentes da Escola, da Universidade da A3ES e da Direção Geral do Ensino Superior, importa dizer que serão reestruturações de carácter profundo, que alteram significativamente o modelo de ensino atual no IST, contemplando, nomeadamente,

● o aumento da flexibilização da oferta curricular;

● a possibilidade de funcionamento em trimestres;

● a introdução obrigatória de unidades curriculares na área das Humanidades, Artes e Ciências Sociais (HASS);

● a introdução de um projeto integrador no final de todos os primeiros ciclos;

● a possibilidade de escolher minors transversais em todos os cursos de mestrado;

● a alteração de métricas de ECTS em todos os ciclos de estudo e a necessidade de criação de concursos de acesso ao 2º ciclo, para todos os alunos, nomeadamente para os alunos que concluem 1ºs ciclos do IST;

● a mudança para um modelo de ensino/aprendizagem crescentemente baseado na aquisição de competências (learning outcomes), tal como preconizado pelo modelo de Bolonha, e num acompanhamento de proximidade (project based learning), que torna forçosa a redução dos atuais rácios aluno/docente.

Estas alterações, que correspondem a uma necessária e imprescindível modernização da formação no IST, colocam desafios consideráveis à Escola, que terão de ser ultrapassados com sucesso no curto intervalo de tempo que decorre até ao ano da sua implementação (2021/2022). A única forma de o conseguir é, no entender do signatário, dar continuidade ao trabalho até agora efetuado, criando sempre planos de contingência, no âmbito das deliberações e regulamentos aprovados pelos órgãos competentes, que garantam que não existirão quaisquer hiatos na transição académica para 2021/22 e anos seguintes.

O novo referencial contabilístico – o Sistema de Normalização Contabilística para as Administrações Públicas (SNC-AP) - entrou em vigor em janeiro de 2018, implicando alterações significativas na prática contabilística actual do IST. Simultaneamente, arrancou, no IST, a implementação do novo sistema de informação que substitui o antigo GIAF (sistema de Gestão Integrada Administrativa e Financeira), integrando ou alterando profundamente os sistemas MGP (Módulo de Gestão de Projetos) e MGO (Módulo de Gestão Orçamental), em matéria financeira, contabilística, orçamental, patrimonial, logística, gestão de projetos e de recursos humanos. A implementação deste novo sistema visou assegurar a integração de todas as áreas de funcionamento administrativo e financeiro do IST e suas participadas (nomeadamente IST-ID, ADIST e IDMEC), bem como possibilitar a consolidação orçamental e articulação com as restantes entidades da Universidade de Lisboa. Este novo sistema, quando concluída a sua implementação, permitirá ainda um aumento de robustez na gestão e organização da informação existente, tornando-a mais segura, fiável e auditável.

Simultaneamente com a decisão de implementar a nova aplicação de software SAP, foi tomada a decisão de descontinuar todos os anteriores sistemas de informação e controlo financeiro e contabilístico, para evitar a duplicação de operações. Contudo, dada a grande dimensão e complexidade do IST, esta opção teve como consequência direta a inexistência de uma transição progressiva para o novo sistema, criando problemas de descontinuidade imprevistos que afetaram seriamente o trabalho de controlo e gestão orçamental, de controlo, lançamento e integração financeira, de controlo e reporte de projetos e de encerramento de contas, nos anos de 2018 e 2019. Exigiu ainda um acréscimo de esforço por parte dos serviços do IST, por forma a dar resposta às múltiplas necessidades surgidas durante o processo. Torna-se assim imprescindível, que a implementação integral do sistema SAP e a recuperação do histórico de lançamentos e integração financeira estejam concluídas durante o primeiro trimestre de 2020 para que se garanta o encerramento de contas consolidadas de 2018, e a operação normal do IST.

Finalmente, importa referir que durante o ano de 2020, após a eleição do novo Presidente do IST (que acontecerá até ao final do ano de 2019), ocorrerá o processo eleitoral que culminará com as eleições para o Conselho de Escola (CE), Assembleia de Escola (AE), Conselho Pedagógico (CC) e Conselho Científico (CP). Dessa forma deverá ser também prioridade do novo Presidente do IST e da sua equipa, criar todas as condições para que no processo eleitoral geral de 2020 haja oportunidade para a escola debater de forma tranquila e profunda as suas prioridades e o caminho de desenvolvimento que deseja prosseguir no futuro. Naturalmente que, após a eleição dos novos órgãos, que tomarão posse no início de 2021, o Presidente do IST submeterá novamente o seu programa de governo, consubstanciado nos termos dos estatutos do IST no seu plano quadrienal, bem como a execução de 2020, ao parecer da AE, à pronúncia do CC e CP e à aprovação do CE. Esse é um compromisso absoluto que o signatário assume com a Escola.

Do enquadramento anterior resulta que o novo Presidente do IST, bem como a sua Direção, terão em 2020 um conjunto de desafios iniciais com uma envergadura e premência que encurtam drasticamente o tempo de aprendizagem e de adaptação da nova Direção. Tendo o signatário sido o responsável pela Área Académica do IST durante quatro anos (2009/2013 – que corresponde ao período de consolidação da transição para o processo de Bolonha e de acreditação preliminar dos 73 cursos conferentes de grau do IST) e tendo sido Vice-Presidente para a Gestão Administrativa e Financeira nos quatro anos seguintes (2013/2016) considera, não só ter a experiência e o perfil adequado para liderar a equipa que assumirá a gestão do IST em 2020 na complexa conjuntura anteriormente descrita, como ter também a obrigação e a motivação para o fazer.

2. Linhas Estratégicas de Ação para o período 2020/2023

Estando em vigor o plano estratégico do IST (PE-IST), aprovado em 2014, considera o signatário que as Linhas Estratégicas de Ação da próxima Direção do IST, que liderará caso venha a ser eleito, deverão estar subordinadas ao PE-IST em vigor. Sem prejuízo do anteriormente dito, o signatário assume o compromisso de, no início de 2021, ouvidos os novos órgãos eleitos na sequência das eleições de 2020 e, nos termos da alínea l do nº 4 do artigo 13º dos Estatutos do IST (E-IST), nomear a comissão que revisitará o PE-IST e proporá uma versão revista à pronúncia do CE, CP e AE e aprovação pelo CE.

Dessa forma, o presente programa apresenta a visão do signatário, enquanto candidato, daquelas que serão as suas ações prioritárias para cada uma das onze áreas de atuação do IST estabelecidas no atual PE-IST. Essas prioridades naturalmente têm em conta a conjuntura que enquadra atualmente o IST, não só no que se refere às questões internas mencionadas nos pontos anteriores, como também os factores que são exógenos à escola, nomeadamente o quadro legislativo e o quadro de financiamento público atual.

As áreas de atuação do PE-IST são: Ensino Superior, Investigação, Desenvolvimento e Inovação, Transferência de Tecnologia, Operação Multipolar, Internacionalização, Comunicação, Recursos Humanos, Infraestrutura, Processos e Qualidade, Tecnologia da Informação e Financiamento.

Nos pontos seguintes apresenta-se o plano de ações que o signatário considera prioritárias para cada uma destas áreas de atuação.

2.1 Ensino Superior

Estabelece o PE-IST, como um dos objetivos nesta área de atuação, aumentar a flexibilidade dos curricula e a mobilidade, nacional e internacional, de alunos, melhorar a atratividade dos diplomas de mestrado e conferir maior nível de autonomia aos alunos, através da implementação de currículos mais flexíveis, que lhes permitam escolher um percurso académico personalizado, que promova a mobilidade e o espírito empreendedor.

Dando resposta a esta linha de ação, tendo em conta o Decreto-Lei n.º 65/2018, de 16 de agosto, que procede à alteração do regime jurídico dos graus e diplomas do ensino superior, os atuais órgãos de gestão do IST iniciaram o processo de reconversão dos mestrados integrados e a reestruturação de todos os cursos de 1º e 2º ciclo. A referida reestruturação assenta num conjunto de princípios estabelecido no relatório elaborado pela CAMEPP e no documento Princípios Enquadradores para a Reestruturação dos Cursos de 1º e 2º ciclo do IST 21 22 (PERCIST), aprovado pelo Conselho de Escola a 20 de Maio de 2019, que regulamenta no plano operacional o trabalho da CAMEPP.

É de importância vital para o IST que o processo agora iniciado seja plenamente concluído até ao início do ano letivo de 2021/2022, transformando esta mudança do modelo de ensino do IST numa oportunidade única para: (1) modernizar, flexibilizar e tornar mais atrativo o nível da formação oferecida; (2) valorizar ainda mais os diplomas do IST, reforçando a sua imagem como Escola de Engenharia de referência internacional; e (3) dar o exemplo de como deverá evoluir o ensino e aprendizagem em engenharia, ciência e arquitetura nos anos futuros, nomeadamente consolidando plenamente o processo de Bolonha, iniciado há 15 anos.

A nova Direção dará continuidade ao trabalho iniciado pela anterior Direção, nos termos do enquadramento aprovado pelos órgãos da escola, e no respeito pela autonomia das comissões científicas de curso, estruturas e departamentos envolvidos. Como prioridades, a nova Direção deverá garantir que todos os cursos que serão submetidos a acreditação pela A3ES nos prazos estipulados (sendo 30 de Abril de 2020 a data proposta para a submissão dos novos cursos resultantes da reconversão dos mestrados integrados) cumprem todo o quadro legal decorrente do Decreto-Lei n.º 65/2018, por forma a não colocar em causa a sua acreditação. Deverá ainda assegurar que a implementação e migração dos alunos para os novos curricula, em 2021/2022, ocorrerá sem quaisquer descontinuidades. Para tal, terá de efetuar as simulações de migração curriculares necessárias, adaptar a plataforma Fenix às novas estruturas curriculares, corrigir erros, preparar o novo conjunto de horários e estimar o impacto na distribuição de serviço docente que as novas estruturas curriculares terão. Deverá ainda realizar as simulações necessárias a garantir que o processo de reestruturação dos cursos, nomeadamente a alteração das métricas de ECTS, e o aumento da flexibilidade curricular, não resulte em incompatibilidades nos planos de transição ou na elaboração de horários que condicionem a normal progressão académica dos alunos do IST.

A nova Direção trabalhará ainda, conjuntamente com a Reitoria, no sentido de garantir, dentro daquilo que é o quadro legal em vigor, que os alunos que terminem 1ºs ciclos no IST tenham a maior garantia possível de dar sequência à sua formação no IST, num 2º ciclo de continuidade ou de mobilidade. Dada a sua dimensão e número de alunos, o IST deverá também negociar com algumas Faculdades da Universidade de Lisboa (UL), nomeadamente Letras e Direito, pacotes de Unidades Curriculares (UCs) de HASS que possam ser frequentadas pelos alunos do IST, inclusivamente ministradas nos campi do IST, ou, caso se justifique, a criação de execuções específicas para alunos do IST. Sem isso, dificilmente se conseguirá implementar este tipo de UCs, nomeadamente mantendo o espírito subjacente à sua criação.

O processo de reestruturação em curso é um processo crítico cuja implementação não tem qualquer margem de erro. Dessa forma os custos de implementação não poderão ser um fator limitativo à sua implementação, mas terão de ser devidamente quantificados.

Estabelece também o PE-IST como linha de atuação o estímulo à aprendizagem ao longo da vida. Esta é uma linha de atuação de importância fundamental, sobretudo tendo em consideração o crescente aumento da mobilidade no mercado de emprego e a necessidade de requalificação profissional ao longo da vida, a que o IST não poderá deixar de dar resposta. Dessa forma, a iniciativa Técnico +, que criou em 2018 uma plataforma orientada para a formação profissional avançada, deverá ser consolidada e reforçada durante o próximo quadriénio, tarefa que contará com o empenho pessoal do Presidente do IST durante o seu mandato. Em termos financeiros a iniciativa terá de ser pelo menos auto-sustentável e deverá vir a tornar-se uma fonte de captação de receita.

2.2 Investigação, Desenvolvimento e Inovação

O cumprimento da missão do IST, bem como a necessidade de captação de receitas próprias, tornam premente o aumento da participação em grandes projetos nacionais e internacionais. Esse aumento só poderá ser feito criando mecanismos de apoio e de estímulo apropriados à consolidação de parcerias, à preparação de propostas e gestão de projetos aprovados. Assim, o reforço do apoio que é dado aos investigadores pelo Gabinete de Apoio Técnico a Projetos e ao Investigador (GATPI), estrutura da Direção de projetos, será uma das prioridades da futura Direção, nomeadamente dotando esse gabinete de recursos humanos doutorados, e devidamente capacitados, que possam identificar oportunidades em diferentes áreas científicas e ajudar os investigadores na definição e elaboração de propostas sólidas, financeiramente atrativas e potencialmente vencedoras.

Finalmente, é necessário diminuir drasticamente as barreiras de potencial burocrático que os investigadores sentem durante a execução material e financeira de projetos, não descurando o cumprimento do quadro legal em vigor. Essa será uma das prioridades em que a nova Direção do IST irá centrar a sua atenção e em que o Presidente do IST se empenhará pessoalmente.

O custo destas iniciativas de reforço do núcleo de apoio ao investigador e de desburocratização de processos será suportado através de parte dos overheads de gestão dos órgãos centrais.

2.3 Transferência de Tecnologia

É fundamental reforçar a transferência de tecnologia, as parcerias com empresas, a ligação à sociedade e o estímulo ao empreendedorismo de base tecnológica. Dessa forma, é da maior importância reforçar a ligação do IST, e dos seus centros, ao tecido industrial e empresarial nacional e internacional. O trabalho da anterior Direção, criando a Rede de Parceiros do Técnico, deverá ser continuado e consolidado pela nova Direção, alargando a Rede de Parceiros em articulação com centros e departamentos que melhor poderão dar resposta aos desafios que atualmente a sociedade, empresas e indústria necessitam. Por forma a continuar o esforço de crescimento e recrutamento de novas empresas para a Rede de Parceiros do Técnico, será realizado o Encontro Anual de Parceiros do IST. Nesse encontro, aberto à comunidade IST, será apresentado o Programa de Parcerias Empresariais do IST e dada a conhecer a atividade dos membros da rede de parceiros e de empresas externas convidadas. O objetivo do Encontro Anual de Parceiros do IST será de partilhar experiências e ideias, identificar grandes desafios em que a escola possa ter um papel determinante, e captar novos membros para a Rede de Parceiros. Esta iniciativa será financiada com parte da receita do Programa de Parcerias Empresariais, que atualmente já conta com vários parceiros.

Uma das apostas mais bem-sucedidos do IST, ao longo da última década, tem sido a promoção do empreendedorismo entre estudantes, investigadores e professores. Prova disso é a comunidade de spin-offs do IST, que tem um considerável número de empresas e que vem atraindo novas empresas a cada ano. A Direção do IST terá pois de aproveitar esses resultados e expandi-los, tornando o IST uma Escola ainda mais empreendedora, não só através da integração da componente de empreendedorismo na formação dos seus alunos (prevista no atual processo de reestruturação de cursos), como também através da promoção de ações de partilha de experiências entre spin-offs de sucesso do universo IST, potenciais empreendedores IST e entidades financiadoras.

2.4 Operação Multipolar

O IST é uma Instituição multipolar atualmente com três campi: Alameda, Taguspark e CTN. Sendo os campi Taguspark e CTN mais recentes no universo IST e sendo o campus Alameda, não só o mais antigo como aquele onde os órgãos centrais de gestão se encontram sediados, existem diversos desafios que deverão ser ultrapassados por forma a que o IST, na sua globalidade, funcione de forma tão eficiente quanto possível. Aspetos prioritários serão, pois, a melhoria da comunicação intercampi, bem como o aumento da visibilidade das iniciativas que ocorrem nos campi CTN e Taguspark nas plataformas digitais do IST, facilitando o acesso à informação e criando com isso as necessárias sinergias ao melhor funcionamento do IST. A comunicação entre os serviços administrativos dos campi bem como a eficácia de resposta a questões de gestão correntes nos campi CTN e Taguspark deverá ser aperfeiçoada. A nova Direção promoverá reuniões executivas, com periodicidade quinzenal, onde as diferentes direções administrativas do IST estarão presentes. O objetivo dessas reuniões será o de encontrar soluções conjuntas para problemas de carácter transversal, melhorando a eficácia de resposta dos serviços administrativos centrais do IST.

Naquilo que respeita à mobilidade de membros da comunidade IST, esta representa ainda um desafio com alguma premência, sobretudo no campus Taguspark, que comporta atualmente um número considerável de alunos. A nova Direção, em colaboração com a Câmara Municipal de Oeiras (CMO), irá explorar iniciativas que possam melhorar e flexibilizar a mobilidade até ao campus Taguspark, tendo em conta possibilidades na linha do recentemente lançado Oeiras Valley Shuttle.

Estando o campus Taguspark implantado num Parque Tecnológico, na região de Oeiras, com a presença de um grande número de empresas de foro tecnológico, e não só, é importante criar sinergias entre a investigação e ensino desenvolvidos no campus e as empresas da zona. Estas sinergias terão, certamente, mais-valias para ambos os lados e encontram-se em consonância com o ponto 2.3 acima, em que se salienta a importância de reforçar a ligação do IST ao tecido empresarial e industrial em Portugal. De facto, por um lado, existem serviços de formação (nomeadamente no âmbito do Técnico+) que podem ser disponibilizados às instituições sediadas no Taguspark e arredores, bem como resultados de investigação e recursos humanos com potencial de utilização em meio empresarial. Por outro lado, é de explorar a disponibilidade das empresas para contribuir para a melhoria da infraestrutura no campus Taguspark. A título de exemplo, refere-se o espaço exterior do campus que, se devidamente ajardinado e suportado por serviços, poderá beneficiar, não só a comunidade IST no campus Taguspark, como toda a comunidade do Parque e da zona circundante. A nova Direção compromete-se, assim, a desenvolver esforços junto da gestão do Parque Tecnológico Taguspark, bem como da CMO, no sentido de tornar possível que iniciativas, visando a colaboração entre as partes, tenham lugar. Uma destas iniciativas que poderá alavancar outras mais específicas é a realização de um evento anual (no formato workshop, por exemplo) aberto à comunidade envolvente do campus Taguspark em que sejam apresentados os resultados das atividades de investigação, desenvolvimento e ensino, que aí têm lugar, e em que as empresas e instituições da envolvente possam vir expressar as suas necessidades.

Finalmente, é necessário reforçar as atividades de investigação no Campus do Taguspark e reforçar as atividades de ensino no Campus Tecnológico e Nuclear. Efetivamente, enquanto o número de estudantes no Taguspark atingiu um nível significativo e estabilizou, uma fração menos do que proporcional de professores e investigadores desenvolve as suas atividades neste campus. Não existindo uma solução imediata, ou sequer óbvia, é evidente que esta fração só pode aumentar se novas atividades de investigação forem implantadas no Taguspark, aproveitando as excelentes condições disponíveis. De forma quase inversa, o desenvolvimento do campus CTN depende criticamente da capacidade do IST de criar e implementar formações que usem o potencial deste Campus em infraestruturas laboratoriais e recursos humanos tanto na vertente de investigação e formação de 3º ciclo, como no reforço/reformulação da formação experimental preconizado no PERCIST. O CTN reúne condições de espaço, laboratórios e know-how específico que, com custos reduzidos, poderão facilmente ser atualizados e alargados à formação avançada. Pretende ainda esta Direção promover junto da Câmara Municipal de Loures a disponibilização de transporte entre os campi CTN e Alameda, quando estas atividades de ensino apresentarem um carácter mais regular. No âmbito do Plano de Pormenor em desenvolvimento na Quinta dos Remédios, CTN, pretende esta direção dar seguimento, nomeadamente à instalação de uma unidade de prototerapia, com os parceiros institucionais envolvidos, recorrendo às fontes de financiamento das agências nacionais e internacionais, bem como promovendo a mobilização de investimento privado para a sua concretização. Pretende-se ainda incrementar as sinergias com a Câmara Municipal de Loures e com o tecido empresarial regional, criando condições para alargar a micro-empresas a rede de parceiros do Técnico.

2.5 Internacionalização

A crescente internacionalização do IST, que será continuada e reforçada pela nova Direção, é um dos alicerces do ensino de pós-graduação, sendo que o IST deverá no próximo ciclo investir na criação da marca “doutorado IST” colocando-a, pelo menos, ao nível da marca “engenheiro IST”. Para além disso, a internacionalização do IST deverá constituir-se também como uma fonte de receitas, fundamental para garantir a sustentabilidade do modelo de escola IST. Tal será defendido e consolidado pela nova Direção do IST. Assim, deverá ser dada continuidade à participação do IST em redes internacionais, como plataformas de alavancagem da estratégia internacional do IST (CLUSTER, CESAER, TIME, MAGALHÃES, SEEEP) e programas/parcerias internacionais (CMU, MIT, UTAustin, EPFL, KIC Innoenergy e Erasmus+). A expansão do portfólio de atividades internacionais, estendendo-as a novas parcerias, nomeadamente com países com quem Portugal tem longas relações, como Brasil, China, Japão, Índia ou países de língua oficial portuguesa deverá ser prosseguida. Por outro lado, o desenvolvimento de novos projetos e o benchmarking de novas abordagens ao ensino generalizado, como os MOOCs, poderão aproveitar essas plataformas e a estreita cooperação existente com esses parceiros, com vista a aumentar o número (e a diversidade) de estudantes do IST e a projetar a sua imagem internacional.

O prosseguimento destas iniciativas é crucial para a internacionalização dos alunos do IST, criando-se condições para fomentar a sua mobilidade e expondo-os às melhores práticas internacionais e aos mais recentes avanços científicos e tecnológicos, por forma a torná-los embaixadores do IST no estrangeiro. É também crucial para a exposição dos seus docentes e investigadores a novas colaborações e ainda dos seus colaboradores não docentes às melhores práticas internacionais.

2.6 Comunicação

Fortalecer o relacionamento dos alumni com o IST é de importância fundamental não só para atualização dos mesmos em termos de conhecimentos necessários ao exercício da profissão, mas também para trazer as suas experiências e contactos com o mundo empresarial. Melhorar esse relacionamento, criando um mecanismo de contacto mais regular passa pela promoção de iniciativas que tragam os alumni ao IST. Dessa forma deverá ser aproveitado o 110º aniversário do IST, em 2021, para criar um grande evento que traga aos três campi do IST as suas diversas gerações de alunos, aproveitando esse evento para alimentar a base de dados de alumni envolvendo-os de forma frequente nas atividades do IST.

A futura direção do IST promoverá e consolidará, em parceria com os núcleos de estudantes, com os colaboradores não docentes e com os investigadores e docentes, um conjunto de atividades de outreaching, promovendo a imagem IST junto dos diversos stakeholders na sociedade. Será dada continuidade ao trabalho de divulgação da ciência e investigação que se faz no IST, nomeadamente daquela com maior impacto societal, por forma a projectar a imagem do IST nos media e na sociedade, prosseguindo a linha de trabalho iniciada pela anterior direcção. O objetivo será colocar o IST na linha da frente das mais importantes iniciativas de investigação e inovação e excelência académica.

2.7 Recursos Humanos

No dia 27 de Junho de 2019 o Conselho de Gestão do IST aprovou o documento Perspetivas de Desenvolvimento dos Recursos Humanos, Docentes e de Investigação do Técnico, a partir de 2019, visando atualizar as metodologias e princípios definidos nas versões anteriores, aprovadas em novembro de 2012 e atualizadas em fevereiro de 2014. Nesse documento, é diminuído o alvo a atingir para o número total de docentes e investigadores, de 710 para 650-660 (600 docentes e 50-60 investigadores). No documento, está previsto que o IST se aproxime progressivamente deste alvo num período de 5 a 10 anos, procedendo para tal à abertura de um número de 15 a 18 novas vagas de Professor Auxiliar por ano. Se o ritmo de decréscimo for superior ao esperado, o número de novas admissões deverá manter-se apenas até atingir o valor alvo. Este documento é um documento conservador que visa libertar recursos financeiros, dando continuidade à imprescindível renovação do corpo docente e investigador do IST. Esta renovação é prioritária e o signatário entende que lhe deverá ser dada continuidade. Como tal, a nova direção do IST não irá revisitar este documento, exceto na situação extrema em que, num determinado ano, a sua aplicação resulte num impacto financeiro que impossibilite a apresentação de um orçamento equilibrado.

Da mesma forma que tem vindo a ser feito para o corpo docente e investigador, é premente dar início à renovação do corpo de funcionários não docentes, nomeadamente aumentando o nível médio da sua qualificação e promovendo a sua formação e requalificação funcional. Numa instituição como o IST, áreas como o apoio técnico laboratorial e o apoio informático são altamente críticas, e deverão ser privilegiadas num plano de renovação do corpo não docente e não investigador do IST, que permita dar resposta às necessidades do Instituto, e cujo signatário se compromete a apresentar à Escola durante o ano de 2020. Conjuntamente com esse plano de renovação, será também apresentado o plano de formação e requalificação de funcionários do IST, inclusivamente frequentando UCs especificas do IST, plano esse que terá como principal objetivo último melhorar as condições de trabalho, a qualidade da resposta e a eficiência dos serviços técnicos e administrativos do IST.

2.8 Infraestrutura

Os enormes constrangimentos financeiros da universidade portuguesa, e do Instituto Superior Técnico em particular, tem tido como resultado direto o facto do investimento em infraestrutura ter descido quase a zero. Não só em termos da construção de infraestruturas necessárias ao lançamento de novas iniciativas que permitam à escola modernizar-se, captar novos alunos e lançar novos desafios, como o indispensável investimento na manutenção da infraestrutura construída não tem sido possível fazer. Esta situação é insustentável, estando, contudo, intimamente dependente da capacidade de financiar custos de investimento.

No investimento que for possível fazer, esta Direção dará prioridade ao investimento na manutenção e renovação de salas de aula e pavilhões que, em alguns casos, atingem já estados avançados de degradação. Não sendo possível, naturalmente, dar resposta a estas situações em apenas 1 ou 2 anos, esta Direção apresentará durante 2020 um plano de manutenção e renovação do edificado, com uma estimativa dos custos associados a cada fase.

Será dada seguidamente prioridade à construção do centro de inovação Técnico 'Arco do Cego'. Este é um grande investimento, que criará um espaço dinâmico moderno onde a comunidade do Técnico e o setor privado devem interagir e trazer valor ao IST. Também promoverá e sediará eventos culturais, científicos e ligação à sociedade. Esta infraestrutura projetará uma imagem do IST, fora dos seus muros, ligando-a à cidade de Lisboa e contribuirá para a qualidade de vida e a atratividade global da cidade. Permitirá ainda reduzir a densidade de ocupação do campus Alameda. A sua construção permitirá, pois, ao IST colocar-se num patamar diferente enquanto grande escola internacional que já é. O custo atual da obra é no entanto muito elevado (entre 12 e 14 MEuros), tornando impossível a sua execução orçamental e financeira numa fase apenas. Assim será efetuada a análise da viabilidade da execução do projeto em fases. Se houver disponibilidade financeira, conjuntamente com o arranque da primeira fase, iniciar-se-á a captação de fundos junto de potenciais financiadores/fontes de financiamento, por forma a dar início à segunda num hiato de tempo tão curto quanto possível.

A direção a que o signatário presidirá tudo fará para encontrar os mecanismos de financiamento necessários à indispensável renovação da infraestrutura construída do IST, particularmente a atualização e modernização da infraestrutura educacional, tão indispensável para o funcionamento da escola, quanto a renovação do corpo docente e investigador.

2.9 Processos e Qualidade

A nova direção do IST zelará pela auditoria interna e pela gestão da qualidade dos seus processos administrativos, garante interno do cumprimento das normas e procedimentos decorrentes da lei e da regulamentação interna do IST. A gestão da qualidade de processos, nomeadamente os administrativos, deverá levar em consideração os fatores eficácia, eficiência, comunicação horizontal entre serviços, gestão e arquivo documental e desburocratização. O Sistema de qualidade do IST é acreditado pela A3Es e tem sido elogiado nos mais diversos fóruns quer em Portugal quer no exterior e tudo se fará para que assim continue uma vez que contribui fortemente para a projeção do IST e dos seus cursos.

2.10 Tecnologia de Informação

A estabilização do corpo técnico da Direção de Serviços de Informática (DSI) é uma prioridade fundamental para a direção do IST. A forte dinâmica do mercado de trabalho nesta área tem dificultado a retenção de quadros intermédios. Sendo o IST uma instituição onde, por norma, a renovação contínua de quadros é também parte integrante de um processo natural de evolução e potenciadora da inovação, é também um facto que, sem uma capacidade mínima de retenção de um quadro mínimo permanente e estável de recursos humanos altamente qualificados, é extraordinariamente difícil garantir a operação regular dos SI e evitar descontinuidades de serviço.

Ultrapassar este desafio, de enorme importância para o futuro do IST passa, nomeadamente, por garantir capacidade e contratação de recursos humanos qualificados nesta área, que, tendencialmente deverá ser efetuado num quadro legislativo e de execução financeira mais ágil e competitivo do que aquele que decorre no IST. Dessa forma, deverá ser criado um centro de informática na Associação para o Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico que garanta maior eficácia da capacidade de resposta às futuras necessidades do IST em termos de desenvolvimento e adaptação de plataformas informáticas.

Sem que tal aconteça será virtualmente impossível o IST ter capacidade de resposta aos enormes desafios que atualmente existem e que continuarão a crescer relativamente a processos de base, nomeadamente a indispensável renovação contínua do sistema Fénix e sua adaptação à nova estrutura curricular dos cursos de primeiro e segundo ciclo que ocorrerá a partir de 2021; a integração do sistema dot com a nova plataforma financeira e a implementação de um sistema de gestão e arquivo documental, integrado com as plataformas dot e SAP, que possa conduzir a uma necessária desmaterialização de todos os fluxos de processos administrativos, garantindo a preservação dos arquivos digitais e o acesso aos documentos e arquivos.

Em paralelo, será dada especial atenção à renovação e reforço das infraestruturas de suporte dos sistemas de informação nos três pólos, nomeadamente ao nível dos centros de dados, infraestruturas computacionais e redes de dados, de modo a aumentar a resiliência e redundância multipolar do sistema e reforçar a garantia de continuidade de serviço. Será dada particular atenção ao planeamento e previsão a médio/longo prazo das necessidades computacionais, armazenamento e de cópias de segurança, bem como eventuais renovações indispensáveis a nível das infraestruturas centrais dos centros de dados existentes, tendo sobretudo em atenção que o centro de dados da Alameda se encontra perto da sua capacidade operacional máxima a nível de refrigeração e potência instalada.

2.11 Financiamento

O nível de financiamento público do IST (bem como da generalidade do sistema de ensino superior nacional) é inaceitavelmente baixo. É baixo comparativamente ao financiamento em universidade de países com quem nos comparamos e com quem competimos (a título de exemplo, utilizando duas instituições com uma dimensão (docente e alunos) comparável à do IST, a EPFL tem um orçamento anual oito vezes superior ao do IST, enquanto que o MIT tem um orçamento anual trinta vezes superior ao do IST). Além disso, não é aceitável que, em Portugal, o financiamento médio por aluno do Ensino Superior seja mais baixo do que o financiamento público por aluno do Ensino Secundário. Este facto conduz a situações que, caso não sejam rapidamente invertidas, terão um custo incomportável num futuro próximo: o orçamento do IST corresponde a cerca de 90% de despesa corrente e apenas 10% de despesas de investimento.

Não é aceitável que o financiamento público total do IST, em 2019, possibilite apenas cobrir cerca de 70% dos custos do seu quadro de pessoal, quadro esse já de si claramente subdimensionado, face à qualidade de ensino, formação e investigação que a sociedade espera e exige do Instituto Superior Técnico. Não é aceitável que o financiamento público médio por aluno (menos de 4500 euros) cubra apenas 60% dos custos médios de formação de um diplomado IST (cerca de 7500 euros).

Numa sociedade de conhecimento, onde o conhecimento é fundamental e determina a competitividade das sociedades, esta situação tem de ser invertida e o IST deverá colocar todo o seu peso e influência para inverter essa situação durante o mandato da próxima direção. Esta terá de ser uma das prioridades da direção do IST e do seu Presidente.

Durante o seu mandato, a nova direção deverá desenvolver todos os esforços para aumentar a capacidade da escola captar receitas próprias, mobilizando também investimento privado. Para além das iniciativas antes mencionadas em 2.2, 2.3, 2.4 e 2.8 o signatário entende que é fundamental desburocratizar os serviços de apoio administrativo central e local do IST. A direção do IST não pode pedir à comunidade IST que capte mais receita através de projetos de investigação e prestação de serviços e, uma vez conseguidos esses projetos, colocar enormes dificuldades à sua execução por excesso de burocracia, excesso de passos na cadeia de autorizações, falta de informação ou ineficiência dos sistemas de gestão. A simplificação de processos administrativos, por forma a aumentar a captação de receitas próprias será uma das ações prioritárias da equipa da nova direção.

Serão ainda reforçados os mecanismos de cobrança de receitas, de modo a reduzir os atrasos nos pagamentos ao IST de verbas faturadas, o que é indispensável para manter a situação de tesouraria estável e garantir o normal funcionamento do IST.

Finalmente, existem oportunidades de rentabilização da infraestrutura do IST que deverão ser aproveitadas. É o caso, nomeadamente, da aprovação do plano de pormenor da Quinta do Remédios, do aproveitamento e rentabilização de toda a zona de esplanada da piscina do campus Alameda, que confronta com a zona agora privilegiada do passeio urbano da avenida Duque de Ávila, ou da residência Baldaques, claramente subaproveitada. Todos os recursos financeiros que forem libertos pela rentabilização destas e de outras infraestruturas do IST (por exemplo, exploração de bares, ou outros espaços) serão utilizados como despesa de investimento.

3. Conclusão

O programa de candidatura que aqui apresento, ambicioso mas realista, foi construído sobre aquilo que acredito que é o que mais diferencia o Técnico no mundo académico: a força e vitalidade que resulta da diversidade das ideias, opiniões e visões, provenientes de todos aqueles que, a cada dia, contribuem para o funcionamento dos seus departamentos, centros e campi, partilhadas em torno da construção de um bem comum.

Todos somos Técnico é, pois, o lema desta candidatura.

Tendo eu considerado que reúno as condições para liderar uma equipa capaz de dar cumprimento este programa, assumo com a Escola o compromisso de o implementar, tomando a decisão de apresentar a minha candidatura a Presidente do Instituto Superior Técnico.

Rogério Colaço

Professor Catedrático do IST

Curriculum Vitae

Rogério Anacleto Cordeiro Colaço, nasceu em Soure, Portugal, a 27 de junho de 1968. É casado e tem um filho.

Ingressou no Instituto Superior Técnico (IST) em 1986, tendo-se licenciado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais em 1991. Obteve o seu Doutoramento e Agregação em 2002 e 2012, respectivamente, pelo IST. É actualmente Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Mecânica do IST.

Iniciou a carreira profissional em 1989 como bolseiro não licenciado do INICT (Instituto Nacional de Investigação Científica e Tecnológica), no recém-criado Laboratório Laser do Departamento de Física da Universidade de Lisboa (edifício C1, Campo Grande). Em Dezembro de 1991 foi provido no lugar de Assistente Estagiário no Departamento de Engenharia de Materiais do IST. Entre 2002 e 2006, foi Professor Auxiliar desse Departamento, tendo sido provido no lugar de Professor Associado em 2006. Em 2010, na sequência da extinção do Departamento de Engenharia de Materiais, passou a integrar o Departamento de Engenharia Química, do qual saiu em 2011 para integrar o Departamento de Bioengenharia, do qual foi membro fundador. Em 2014 passou a Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Mecânica. Leccionou unidades curriculares nas áreas de Ciência e Engenharia de Materiais, Materiais Nanoestruturados, Biomateriais e Tribologia, sempre com classificações relevantes atribuídas pelos alunos.

Entre 2005 e 2008 foi Coordenador da Licenciatura em Engenharia de Materiais, tendo liderado o processo de reestruturação bem como a respetiva transição curricular, correspondente à implementação do processo de Bolonha nesta formação.

Entre 1992 e 2002, colaborou na criação e instalação do Laboratório de Processamento de Materiais por Laser do IST, tendo levado a cabo trabalho na área de desenvolvimento de ligas metálicas para revestimentos resistentes a desgaste e solidificação super-rápida, sob a orientação do prof. Rui Vilar. Em 2002 iniciou uma colaboração com os professores Ernst Meyer (Universidade de Basel), Andrej Kulik (EPFL) e Ali Erdemir (Argonne National Laboratory) e criou a linha de investigação em Nanotribologia, de que foi pioneiro em Portugal. Em 2007 fundou o Nanolab – Nanostructured Materials and Nanotechnologies Laboratory (http://nanolab.ist.utl.pt/) e alargou o seu domínio de investigação aos biomateriais e à biotribologia. Em 2012 estabeleceu uma colaboração com a Cimpor SGPS e criou uma nova linha de investigação no seu grupo, visando reduzir as emissões de CO2 durante a produção de cimento, da qual resultaram seis patentes internacionais (aprovadas ou em fase de aprovação) e diversos artigos científicos. O seu grupo de investigação, actualmente, conta com cinco doutorados, cinco alunos de doutoramento e diversos alunos de mestrado, distribuídos por três linhas de investigação: biomateriais, tribologia e materiais cimentícios, fortemente alicerçadas em colaborações internacionais (nomeadamente, Colorado School of Mines, Universidade de São Paulo e Massachusetts Institute of Technology).

É autor de seis capítulos de livros e cento e dez artigos científicos em revistas da especialidade, que registaram até à data mais de 2000 citações (orcid ID 0000-0002-5529-1621, Scopus Author ID: 6701406502). Foi coordenador de diversos projectos de investigação nacionais e internacionais, orientou 7 doutoramentos (concluídos), bem como diversas teses de mestrado. Orienta/co-orienta actualmente 5 teses de doutoramento.

Foi um dos fundadores do C5Lab – Sustainable Construction Materials Association, e é atualmente vice-chairman do seu Conselho de Administração, em representação do IST. O C5Lab é um laboratório colaborativo criado com o objetivo genérico desenvolver, caracterizar e optimizar, em conjunto com a indústria cimenteira nacional, cimentos e betões eco-eficientes, com desempenho igual ou superior aos materiais atualmente baseados no cimento Portland, por forma a reduzir as emissões de CO2 associadas a esta indústria. O C5Lab iniciará formalmente as suas atividades em Janeiro de 2020, com um orçamento de 5.5 M€ para 3 anos, que permitirá a contratação de 30 investigadores altamente qualificados.

É frequentemente avaliador de bolsas e projectos da European Science Foundation (ESF), European Research Council (ERC), Agência Nacional de Inovação (ANI) e Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Atualmente é o coordenador da Comissão de Avaliação dos Relatórios Científicos Finais de projetos IC&DT 2019-2022 de Engenharia dos Materiais da FCT. É também regularmente membro das comissões de avaliação da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), tendo sido coordenador da CAE de Engenharia de Materiais.

Foi vice-presidente do Colégio Nacional de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Ordem dos Engenheiros (OE) entre 1995 e 1997. Foi membro do Conselho de Avaliação e Qualificação da OE de 2014 a 2018.

Fez parte da Assembleia Estatutária do IST em 2009 (membro suplente) e, nesse mesmo ano, tomou posse como membro do Conselho de Gestão do IST, sob a presidência de António Cruz Serra, exercendo o cargo de Responsável pelos Assuntos Académicos do IST durante os quatro anos seguintes. Durante esse mandato foi responsável pela coordenação do processo de consolidação de Bolonha no IST e pelo processo de acreditação preliminar pela A3ES dos 74 cursos conferentes de grau do IST (2010). Coordenou ainda a acreditação do Sistema de Qualidade do IST junto da A3ES (2011) e a criação da Direcção Académica do IST (2012), responsável pela tramitação processual harmonizada dos cerca 11000 alunos de 1º, 2º e 3º ciclo do IST.

Em 2013 tomou posse como Vice-Presidente do IST para os Assuntos Administrativos e Financeiros, substituto do Presidente do IST (Arlindo Oliveira) para todos os efeitos legais. Durante o seu mandato como Vice-Presidente, que terminou em 31 de Dezembro de 2016, para além da execução orçamental equilibrada que ocorreu nos 3 primeiros anos e que foi superavitária (em cerca de 5 Meuros) no ano de 2016, realça-se nomeadamente a eliminação de todas as reservas, em sede de auditoria, até então existentes nas contas do IST, bem como a criação do perímetro de consolidação do IST e a apresentação de contas consolidadas do grupo IST (IST, IST-ID, ADIST, IT, IDMEC, INESC-ID), pela primeira vez em 2015, e nos anos seguintes. Durante esse período foi ainda vogal da Direcção do IST-ID, Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e Desenvolvimento, e Vice-Presidente Executivo da ADIST, Associação para o Desenvolvimento do Instituto Superior Técnico.

Foi eleito membro do Senado da Universidade de Lisboa, representando o IST na Comissão de Assuntos Científicos entre 2013 e 2016. Em 2016 foi eleito membro do Conselho de Escola do IST, cargo que desempenhou até setembro do corrente ano.

É, até ao final de 2019, coordenador da área científica de Projecto Mecânico e Materiais em Engenharia do Departamento de Engenharia Mecânica do IST.

Audição Rogério.mp4

AudiçÃo perante a Assembleia de Escola


Tomada de Posse do presidente do IST

2 Janeiro 2020